sábado, 14 de julho de 2007

Por apenas um sorriso.

O preto predomina na minha alma
já não se parece mais como era antes
tudo que foi dito não faz mais sentido
os valores se inverteram
e tudo parece voltar do zero

Sem caminho certo
perambulo as margens do destino
sempre olhando pra sombra do passado
com receio de tropeçar na próxima pedra
e se afogar no rio de lágrimas

Foi me dado o direito de escolha
e mais uma vez, não escolhi
os objetivos naufragaram
com o único desejo de tentar
e mais uma vez ser diferente

Não aconteceu
somente adormeceu
e mais uma vez
não verei um sorriso

Vivo a tentar
descobrir o segredo
a simples essência
q faz ser assim do jeito q é
improvável e infame

Se dádiva é nos dada
por que não usufruimos?
seus segredos sempre complicam
e no fundo sempre que tento
apenas alimento o segredo

Inchado, não olho no espelho
medo tenho de não me encorajar
a vitória em breve terá
pena a batalha ser
contra o próprio tempo

Quando esta noite acabar
não estarei mais
seremos fortes
e não temereis o desconhecido

Se o segredo seu
não foi revelado
será selado junto a você
neste sorriso não visto
pela última noite que estarei
a acalentar alma tua

Se ao incendiar meu corpo
pedisse minha mão
levaria junto para o caminho
se tiver medo das pedras
meu colo oferecido é

Não temeremos o segredo
mesmo sem sabê-lo
ao fim chegar
ele nos será revelado
por cima de qualquer dor

Não tenha seu medo
amarre-o, deixe
a correnteza levar
sentindo o vento cantar
mais uma vez sua canção

Resta súplica
o desespero sem paixão
a vontade imensa
de um abraço cada vez mais forte

Não se prenda
liberte a dádiva
e deixe-a guiar-te
mesmo o desconhecido
não temeras

Tendo apenas uma dádiva
depositei em seus ombros
a escolha de seu segredo
esta é minha escolha

Se seu segredo
não quer revelar
me satisfaço apenas
com seu sorriso
antes do amanhecer

Me despeço sobre o sereno
seu arrepio não é de frio
foi meu segredo relevado
que lhe abraçou
e fez arder com paixão.